Acompanhe a jornada de um garoto sonhador e mimado que tem sua vida destruída pela magia das trevas, e descobre que a única feiticeira pode ajudá-lo é uma pirralha desengonçada e inexperiente.
1. não tem “o escolhido”
📜❌
“Nunca entendi por que os heróis dos livros têm essa frescura de recusar o chamado. Se alguém batesse na minha porta e me dissesse que sou o escolhido de qualquer coisa, imediatamente faria as malas. Se por acaso descobrissem que sou a pessoa errada, já seria tarde. Por que a recusa de ser especial? Quem, em sã consciência, não quer ser especial?”
Durante a história, eu brinco de subverter alguns clichês e estereótipos, e esse é o principal. Eles não escolheram a forma como nasceriam, mas escolhem aquilo pelo que vale a pena lutar, sem que ninguém precise mandar. Não são vistos como “magníficos” ou “superiores”; muito pelo contrário...
2. brasileiro de verdade
💚💛💙
Muitas vezes, autores brasileiros de fantasia se sentem condicionados a escrever histórias que se passam no exterior, por pura insegurança ou comodismo. Reconheço que nosso país tem diversos problemas políticos, mas eu amo ser brasileira! Estes são alguns exemplos de coisas que eu fiz questão de mostrar no livro:
• Somos o país mais multicultural, multirracial e miscigenado do mundo.
• Todo mundo é chamado pelo primeiro nome (aqui é “professora Judite”, não “senhorita Palmer”).
• Chamamos de “tia” familiares de colegas que acabamos de conhecer.
• Nossa culinária: pão de queijo, brigadeiro, bolo de fubá...
• Nossas estações são ao contrário, e o clima tropical é o melhor de todos.
• Muitas das músicas citadas são brasileiras.
• Consumimos, sim, muita coisa da gringa. Não é problema algum, mas acabamos ficando com síndrome de vira-lata.
3. garotas realistas
💪♀️
Ser uma garota forte não é ser indestrutível, sem defeitos ou sem personalidade. A “donzela em perigo” é alguém que sempre se esforçou para fazer o seu melhor, sempre passou por cima dos próprios sentimentos em nome de suas obrigações, nunca demonstrou fraqueza, nunca pediu ajuda para nada, e é justamente por isso que se tornou um alvo fácil de obsessores. A heroína é mirradinha, desengonçada, cheia de traumas, temperamental, tem o ego frágil, e o que a torna forte é sua vontade de superar e vencer os obstáculos.
4. protagonista queer
🗡️🌺
Apesar de ainda bem imaturo, Alex sempre buscou cultivar virtudes de um cavaleiro arturiano, como coragem, honra, lealdade e compaixão, guiando-se por seu lema: “o que um herói faria?”. Por outro lado, também é extremamente sensível e sonhador, emo demais da conta, gosta de fadas e unicórnios, entende de arte e de flores. Masculinidade nem sempre é sinônimo de “toxicidade”, delicadeza nem sempre é sinônimo de “fraqueza”, e ambos muitas vezes coexistem, sem se anular, em uma mesma pessoa.
5. releitura mitológica
🦋🌗
A obra é inspirada no mito "O Rapto de Perséfone", com foco em sua essência simbólica e iniciática, não na trama literal.
6. atmosfera agridoce
🍋🍯
Sendo uma releitura do mito de Perséfone, a obra apresenta a dualidade da existência: simplicidade e complexidade, a doçura e o amargor da vida. Por ser também uma história sobre a pré-adolescência, retrata o difícil período de transição da infância para o amadurecimento.
7. público abrangente
🧑👴
Por mais que o público principal seja de adolescentes, não foi escrito de qualquer jeito só porque é "literatura jovem". A base foi planejada de forma acessível, e os temas abordam questões existenciais que atingem a todos nós, independentemente da idade. Sim, aos olhos mais atentos, há camadas mais profundas de detalhes que só alguns conseguirão identificar. Também há um clima nostálgico para quem foi adolescente por volta de 2010.
8. cautela com romance
⚠️😍
Assim como um sommelier não chamaria álcool puro com suco de uva em pó de “vinho”, eu também não chamo qualquer porcaria de “romântico”. Temas como relacionamento abusivo, possessividade e codependência emocional podem sim ser retratados em histórias, mas nunca de forma idealizada ou normalizada. Outro problema comum é quando autores focam tanto nas cenas dramáticas do casalzinho que se esquecem de todo o resto. Os personagens tem só entre 12 e 13 anos, e esse fato é respeitado. Eu amo um drama, mas minha prioridade sempre será desenvolver a trama principal e os arcos individuais dos personagens, além de explorar outros tipos de relações humanas importantes, como família e amigos.
9. cautela com depressão
⚠️🖤
Falar sobre depressão, ideação suicida e luto é desconfortável, mas necessário. O grande problema é que muitos que tentam retratar esses temas fazem isso de forma romantizada ou irresponsável, gerando mais influência negativa do que positiva. Sendo alguém que faz tratamento psiquiátrico há anos, que já passou por muitos altos e baixos e que hoje finalmente conseguiu conquistar certa estabilidade, faço sim questão de retratar a luta contra a depressão na minha história, pois estamos vivendo uma verdadeira epidemia entre os jovens, e isso não pode ser ignorado. Tomei certo cuidado para não retratar certas coisas de forma muito explícita, buscando sentimentos que gerem identificação, mas mantendo sempre o foco na esperança.
10. dark fantasy
☠️🕯️✨
Diferente da "fantasia tradicional" (mais comum para o público infantojuvenil), que corre o risco de cair em maniqueísmos e clichês, a "fantasia sombria" foge um pouco do previsível. Aborda temas com maior complexidade moral e emocional e trata o leitor como alguém capaz de encarar o escuro. A fase da pré-adolescência foi escolhida justamente por ser a época em que percebemos que o mundo não é tão encantado e que as coisas não são tão simples quanto pareciam.
Alex é um pré-adolescente que cresceu rodeado de histórias fantásticas e sempre sonhou em ser "O Escolhido", um herói que viveria uma jornada cheia de aventuras mágicas e salvaria o mundo. Porém, o destino parece gostar de ironias. Após perder tudo o que considera mais importante em sua vida e perceber que é vítima de magia das trevas, descobre que a única feiticeira que pode tentar lhe ajudar é Soline, uma pirralha desengonçada e inexperiente. Se não conseguirem quebrar a maldição até a próxima lua nova, ela se tornará irreversível.
Diana Jolnai
Nascida em São Paulo, filha de uma professora e de um designer, sempre tive a arte presente na minha vida (além de muita liberdade pra viver no mundo da lua).
Desde pequena tinha vontade de criar uma história, mas só aos 15 comecei a desenvolver e a estudar muito sobre escrita de forma autônoma, com todo o conteúdo disponível em livros e sites. Porém, nunca conseguia concretizar minhas ideias.
Aos 23, passando por uma das fases mais sombrias e mais iluminadas da minha vida, precisei me isolar. Revisei os rascunhos da adolescência, agora sob uma perspectiva mais madura, e as mensagens que eu queria transmitir ficaram claras. Com muito apoio de professores, da minha família e do meu marido, jornalista e estudante de teatro, finalmente terminei e publiquei esse livro. Não é só a realização de um sonho, é algo que fiz com muito carinho e tenho orgulho de compartilhar com vocês. Além de se divertirem, serão convidados a reflexões importantes que o nosso mundo atual tenta nos roubar.
FICHA TÉCNICA
Tema: amadurecimento
Subtemas: luto, empatia, esperança, amizade
Gênero literário: romance
Subgêneros: infantojuvenil, fantasia sombria, fantasia contemporânea
Classificação: 12 +
Tempo: 2010, de março à julho
Local: Campo das Rosas, cidade (fictícia) do interior de São Paulo, RA de São José dos Campos.
Alerta de Gatilho
abuso de álcool, bullying, depressão, estresse pós-traumático, ideação suicida, tortura psicológica e violência doméstica.